"- Não me amas?
- Loucamente. Mas estamos desistidos. Abdicámos de tentar. Os amores resistem a tudo menos à falta de tentativa. Tens de te esfalfar todo para conseguir amar. Tens de rastejar e voar com a mesma vontade, com a mesma euforia. Há quanto tempo não te esfalfas por mim?
- Amar dá trabalho. O mal do corpo é fazer de conta que só pode ser assim. Olhar para o lado e ver-te é o que sou. E cometemos muitas vezes o erro de não trabalharmos para manter o que somos. Não investimos em manter um braço ou uma perna. Investimos no que não temos. O mal das pessoas é investirem sempre no que não têm. E depois perde-se os braços que já se tinha porque um dia se quis o voar que nunca se teve. O mal das pessoas é investirem no que não têm.
- Ainda me tens. Ainda é o teu abraço quando me imagino abraçada. Ainda é o teu beijo quando me sinto beijada. Ainda é em ti que penso quando quero chorar. Ainda és."

in "Prometo Perder", Pedro Chagas Freitas

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